Quantas vezes já decidimos dar o próximo passo em algum projeto e, misteriosamente, tudo trava? Sabe aquele padrão de deixar tudo para depois, desistir na reta final ou não se sentir preparado para receber algo bom? O nome disso é autossabotagem. Hoje queremos compartilhar o que aprendemos ao longo dos anos sobre esse fenômeno, identificar suas causas mais comuns e apresentar caminhos para superar.
O que é autossabotagem?
Autossabotagem é quando criamos, conscientemente ou não, obstáculos para o próprio desenvolvimento ou realização. São atitudes, pensamentos e crenças que nos impedem de alcançar metas, mantendo-nos em ciclos de frustração. O ciclo é repetitivo – prometemos que da próxima vez será diferente, mas acabamos caindo nas mesmas armadilhas.
Ninguém nasce se sabotando. A autossabotagem se desenvolve ao longo da vida.
Se enxergarmos a autossabotagem como algo fixo, cairemos numa armadilha ainda maior: o conformismo. Por isso, descobrimos que compreender as raízes é um passo para quebrar esse ciclo.
As 7 causas psicológicas mais comuns
É impossível falarmos de todas as raízes de uma vez só, mas notamos que alguns padrões se repetem em praticamente todos que estudamos ou acompanhamos em processos de desenvolvimento.
1. Crenças limitantes: as barreiras invisíveis
Todos herdamos ideias sobre quem devemos ser, o que podemos conquistar e qual é o nosso valor. Muitas dessas ideias são autossabotadoras.Crenças como “eu não mereço ser feliz” ou “tudo que é fácil não tem valor” agem como filtros que nos impedem de enxergar e aceitar oportunidades.
2. Medo do fracasso (ou do sucesso)
O medo de errar nos paralisa, assim como o receio de ter sucesso e não saber lidar com as consequências. O curioso é quando notamos pessoas com medo de brilhar e atrair olhares, como se não quisessem sair do radar. Em nossos acompanhamentos, percebemos que o medo do sucesso pode ser tão paralisante quanto o medo do fracasso.
3. Perfeccionismo e padrões inalcançáveis
O perfeccionismo cria uma expectativa impossível de ser alcançada, levando à procrastinação, aos atrasos e ao autojulgamento severo. A pessoa espera o momento ideal ou as condições perfeitas para agir, mas esse momento nunca chega. Assim, projetos e sonhos ficam eternamente no papel.
4. Baixa autoestima e autovalorização
Sentir-se inadequado, incapaz ou inferior pode levar à autossabotagem quase automática. É como se pensássemos: “Não adianta tentar, não vai dar certo mesmo.” Anos de autocrítica constante reforçam esse ciclo, gerando insegurança e medo.

5. Medo de rejeição ou crítica
A necessidade de aceitação pode ser tão forte que preferimos desistir de algo antes de arriscar uma crítica. Isso aparece em situações simples, como manter silêncio em reuniões ou evitar dar opinião com medo do julgamento.
6. Procrastinação como disfarce
Procrastinar é, muitas vezes, uma forma indireta de autossabotagem. Adiamos tarefas importantes não só por preguiça, mas para evitar enfrentar emoções desconfortáveis ou desafios que nos assustam.
7. Ambientes que reforçam padrões negativos
Mesmo após identificarmos nossos padrões, ambientes tóxicos podem reforçar a autossabotagem. Convívio constante com pessoas negativas, críticas excessivas ou falta de apoio dificultam a quebra do ciclo. Muitas vezes, só notamos a influência do meio quando tentamos mudar e aparecem resistências externas.
Como superar a autossabotagem?
Nós aprendemos que vencer a autossabotagem não é um processo linear. Vários elementos precisam ser trabalhados ao longo do tempo, e cada pessoa cria seu próprio caminho. Mas existem práticas que facilitam essa transformação.
- 1. Praticar autoconhecimento: Identificar em quais situações mais sabotamos a nós mesmos é o primeiro passo. Reflitamos: Quando procrastinamos? Em que situações nos sentimos inseguros? Reconhecer padrões já é transformação.
- 2. Mapear e desafiar crenças limitantes: Questione as frases automáticas que surgem em nosso pensamento, especialmente as negativas. “Será mesmo que não sou capaz?” Mudar o discurso interno é poderoso.
- 3. Estabelecer metas realistas e flexíveis: Pequenas conquistas criam uma base de confiança e impulsionam para desafios maiores. Adaptar o próprio ritmo é sinal de respeito por si mesmo.
- 4. Aprender a lidar com críticas e avaliações: Valorizemos o feedback, mas sem perder o eixo. Críticas construtivas ensinam, mas opiniões nocivas podem ser ignoradas.
- 5. Praticar o autocuidado emocional: Reconhecer sentimentos, acolher a própria vulnerabilidade e buscar apoio são formas de fortalecer a autoestima.
- 6. Celebrar pequenas vitórias: Comemorarmos cada etapa vencida muda a relação com o processo e reforça a autoconfiança.
- 7. Revisar o ambiente: Buscar ambientes que incentivem, que acolham tentativas e erros, é um grande diferencial.

Estratégias práticas para o cotidiano
Mais do que entender as causas, sentimos diferença ao criar rotinas e práticas objetivas. Algumas sugestões que temos testado:
- Adote um diário para registrar pensamentos autossabotadores e novas respostas possíveis.
- Divida objetivos grandes em pequenas metas semanais, facilitando avanços constantes.
- Compartilhe desafios com pessoas de confiança. O olhar externo pode oferecer clareza.
- Pratique a autocompaixão ao lidar com erros e recaídas.
Cada pequena mudança quebra um elo do ciclo da autossabotagem.
Sabemos que é comum sentir recaídas. Nestes dias, sugerimos buscar apoio profissional ou grupos de autodesenvolvimento. Com o tempo, cada um de nós se torna especialista em si mesmo.
Conclusão
Autossabotagem não é sinal de fraqueza, mas um pedido inconsciente de algo diferente. Convidamos cada pessoa a olhar para si, identificar as vozes internas críticas e experimentar novas formas de se relacionar consigo mesma. Com autocompaixão, coragem e práticas consistentes, é possível transformar autossabotagem em crescimento real. Colocando cada ensinamento em prática, damos passos firmes na direção de uma vida mais coerente e realizada.
Perguntas frequentes
O que é autossabotagem?
Autossabotagem é o ato de criar obstáculos para si mesmo, consciente ou inconscientemente, prejudicando o alcance de metas ou o próprio desenvolvimento. Ela costuma se manifestar por meio de atitudes, pensamentos ou sentimentos que dificultam ações construtivas e reforçam a sensação de incapacidade.
Quais são os sinais de autossabotagem?
Geralmente, notamos padrões como procrastinação recorrente, autocrítica excessiva, abandono de projetos na reta final, comparação constante com os outros, medo de crítica, dificuldade de comemorar conquistas e sensação de não merecimento. Esses sinais, quando repetidos, indicam que há um ciclo de autossabotagem em andamento.
Como superar a autossabotagem?
Acreditamos que superar esse padrão exige prática de autoconhecimento, mapeamento de crenças limitantes, fortalecimento da autoestima, celebração de pequenas conquistas e busca de ambientes de apoio. Adotar práticas como diário reflexivo, autocompaixão e definição de metas factíveis potencializa muito esse processo.
Autossabotagem tem cura?
Sim, é possível superar ou controlar a autossabotagem. Não se trata de cura como uma doença, mas de transformação de padrões comportamentais e emocionais. Com dedicação e autocompaixão, cada pessoa pode criar novas formas de lidar consigo mesma.
Por que as pessoas se autossabotam?
As principais causas estão ligadas a crenças que limitam, medo de fracasso ou rejeição, perfeccionismo, baixa autoestima e influência do ambiente. A autossabotagem costuma funcionar como uma defesa para evitar emoções desconfortáveis ou situações desconhecidas.
